19 de agosto de 2026 · São Paulo
A OpenAI reuniu criadores brasileiros num galpão com domo inflável na entrada e uma sala de projeção de 180 graus. Cinco palestras, uma dinâmica de palco e um roteiro montado em cima de cinco verbos. Neste site estão os principais momentos da minha experiência nesse dia.
Primeira edição do mundo. Dez momentos do dia, mais o convite, o rolo de fotos e a projeção do domo inteira.
Sou Samuel Leite, especialista em LinkedIn e autoridade executiva há mais de 15 anos, LinkedIn Top Voice, autor de Conecte, Influencie, Venda e fundador da Digitale. Estive no Creators Day como membro da Comunidade OpenAI Brasil.
20 de agosto · um dia depois
Gravei isso no dia seguinte, já sabendo como o dia tinha terminado. É a única parte desta página que não aconteceu no dia 19.
O convite é simples: me acompanhe na jornada. O que vem daqui para baixo vai da chegada ao evento até as conclusões que sobraram no fim da noite, do jeito que eu vi.
E tem uma ideia que atravessa tudo, dita aqui e repetida por quase todo mundo que subiu naquele palco: a ferramenta amplifica, mas o que importa continua sendo a conversa, a ideia e o repertório de quem opera.
O mapa do dia
Quanto mais tarde o momento, mais distante a órbita. Clique em qualquer um para ir direto, ou role a página e acompanhe na ordem.
13:59 · A caminho
Gravei esse trecho ainda na estrada, sem saber direito o que ia encontrar. O evento era fechado, a primeira edição do mundo, e não existe cobertura nem transmissão dele em lugar nenhum. Ter recebido um lugar ali dentro foi uma oportunidade única.
Fica registrado o agradecimento à OpenAI e a todo o time da OpenAI Brasil, em especial ao Christian Rôças, o Crocas, pelo convite e por conduzir a iniciativa. Foi uma experiência que fica para a vida.
E fica também o encantamento, que é o que sobra de tudo isso: as possibilidades que a gente tem hoje de exponenciar a produção criativa com inteligência artificial são maiores do que eu imaginava antes de entrar naquela sala.
15:22 · Chegada
Antes da sala principal existe um domo inflável de uns oito metros, projetado por dentro e por fora, com o nome do evento girando na superfície. O público se acumula em volta com o celular levantado, que é o comportamento que a produção claramente esperava.
É a primeira pista de que o dia foi desenhado como experiência, não como auditório com slide. A segunda pista veio logo depois, quando a produção avisou de cima do palco que ninguém precisava guardar o celular.
16:21 · Abertura
A sala principal é uma caixa preta com projeção contínua nas três paredes, cenário lunar do chão ao teto. O evento abre com um vídeo gravado do Sam Altman, legendado em português, e um segundo executivo que morou 14 anos no Brasil.
Depois vem a abertura de palco do Christian Rôças, que lidera comunidade e criadores da OpenAI na América Latina. Ele monta o dia inteiro em cima de cinco verbos, e avisa que cada palestrante da tarde encarna um deles. Não é lista de tópico. É o roteiro.
Foi ali que a tarde deixou de parecer uma sequência de palestras e passou a parecer uma coisa só.
Conhecer, organizar, construir, sustentar e conectar. E vocês vão perceber que a nossa tarde hoje foi pensada exatamente dessa forma.
16:42 · Paulo Aguiar

Gravidade é a força que atrai corpos e os mantém em órbita. Aplicada a quem cria, o Paulo desmonta o atalho: não é audiência, é entender o que faz as pessoas voltarem.
Ele conta a virada dele sem verniz. Diretor de criação premiado, diretor de marketing de fintech, empreendedor em destaque, tudo isso no LinkedIn. Na vida real, criativamente frustrado e sem tempo para aprender. Vendeu a participação na empresa e entrou num ciclo de três passos, nessa ordem: aprender, criar, ensinar.
O método que ele apresenta tem quatro etapas e o erro que ele diz ver o tempo todo é pular direto para a última. O case que sustenta isso é o hyperlapse do Messi com o Lamine Yamal: nenhuma inteligência artificial de vídeo dava conta, então ele parou de tentar vídeo e fez uma sequência de fotos, uma a uma.
No fim da palestra ele soltou de graça o dashboard que construiu conversando com o ChatGPT Work, como uma skill instalável. Sem plataforma, sem SaaS, sem investidor.
2 mil imagens geradas, 360 usadas
Hyperlapse Messi e Yamal, contado por Paulo Aguiar no palco. 37 milhões de views no perfil dele.
Gravidade não é o que a gente pensa. É entender o que faz as pessoas voltarem.
17:07 · Otávio Pompeu
O Otávio abre com a frase mais seca da tarde sobre ferramenta: a gente saiu da etapa de achar que um prompt resolve tudo. E demonstra ao vivo o que quer dizer com isso.
Ele conectou a caixa de entrada e foi lapidando em camadas, que é o método e não o truque. Primeiro pediu um resumo cru e veio genérico. Aí calibrou o que é prioridade para o negócio dele, rebaixou newsletter e promoção, e só então fez o pedido final. O que voltou incluía uma guia de imposto enterrada na caixa que ele não tinha visto.
Depois subiu um degrau e pediu ao Codex um aplicativo de gestão inteiro, com módulo financeiro, negociações puxadas do e-mail e previsibilidade de imposto para quem recebe a 60 e a 90 dias. O argumento que fica é que a ferramenta não inventou o método dele. Ela materializou o método que já existia.
Skill é basicamente uma habilidade que você consegue colocar no seu chat e repetir a partir de uma coisa que você já fez.
17:33 · Intervalo
No meio da tarde o evento para de explicar e passa a demonstrar. Sobem dois bolos ao palco e a pergunta é qual deles nasceu de uma imagem gerada. A plateia erra, acerta, discute, e ninguém sai com certeza.
Antes disso, a entrevista com o Natan, confeiteiro da periferia de São Paulo que cruza confeitaria de luxo com inteligência artificial. Ele usa o ChatGPT para gerar referência visual e para renderizar arquivo de modelagem 3D que vira molde impresso. O que ele diz sobre autoria é melhor do que qualquer slide do dia.
E o café servia biscoito com o logo da casa gravado, que é o tipo de detalhe que denuncia quanto tempo alguém passou desenhando o dia.
80% mais 20%
Natan, sobre o que a ferramenta faz e o que ele faz: "esses 20% é tudo que eu sou".
18:22 · Thais Martan
A definição dela é de uma palavra: inteligência artificial é tempo. E o desdobramento é o que quase ninguém diz num evento de ferramenta. Para quem cria, tempo não é produtividade, é repertório. Observar, experimentar, errar, viver alguma coisa antes de transformar em conteúdo.
Aí ela nomeia a armadilha. Você passa a fazer em dez minutos o que levava duas horas, e enfia mais cinco tarefas no buraco. O dia volta a ficar cheio. Ela admite que fez exatamente isso no começo, porque ama o que faz.
A parte prática vem do barco. Ela mudou com marido e filha para um catamarã que estava abandonado e destruído, e usa isso como analogia direta de empresa desorganizada: resposta espalhada entre WhatsApp, planilha e a cabeça de alguém. Sentou, escreveu tudo que estava fora do lugar, e saiu um aplicativo de inventário com responsável por etapa.
Não é essa a pergunta que a gente deveria fazer, e sim essa: o que nós vamos fazer com o tempo que a inteligência artificial nos devolver?
18:46 · Del Nunes
Ele começa pedindo que a plateia imagine uma tela em branco, depois uma obra de arte famosa, e por fim como seria essa obra se tivesse sido feita por você, com o seu repertório. Foi a resposta dele a esse exercício, em 2020, que virou a Mona Black.
Artista visual de Salvador, técnica de colagem digital. Ele não foi para a inteligência artificial por entusiasmo com tecnologia, foi por bloqueio de produção: colagem precisa de fotografia, banco de imagem não tinha o que ele queria, fotógrafo não respondia, cliente não aprovava verba de estudo.
E é dele a frase que mais contraria o discurso de que a ferramenta dispensa repertório. Ele conta que come comida local em cada cidade para onde viaja, que diz ter desbloqueado o paladar, e que qualquer coisa vira prompt, inclusive uma memória de infância na praia de Itapuã.
5.571 cidades
Uma das ferramentas que ele construiu para si: a origem do nome de cada cidade do Brasil, mapeada visualmente.
Eu não vou conseguir falar sobre o Brasil da tela do meu computador, onde tudo tem a mesma cor e nada tem sabor.
19:13 · Dani Bauer
Ela é gerente de comunicação com desenvolvedores da OpenAI e tem o papel mais ingrato do roteiro: fechar. Faz isso pegando os cinco verbos da abertura e amarrando cada um numa ferramenta, sem transformar a fala em catálogo.
O argumento que sustenta a parte prática é o bastidor invisível. O vídeo publicado carrega pauta, briefing, referência, aprovação, cachê, prazo, entrega, resposta de DM e pagamento, e nada disso a audiência vê. É esse bastidor que ela propõe colocar num lugar só.
E fecha devolvendo uma pergunta para a plateia, que é a melhor coisa que um palco de ferramenta pode fazer: que ideia está parada no seu bloco de notas e nunca saiu do papel?
Conhecer é entender quem acompanha você. Organizar é cuidar do trabalho que está por trás da criação. Construir é tirar uma ideia do papel. Sustentar é fazer o seu negócio com responsabilidade. E conectar é manter a comunidade por perto.
19:33 · O que ficou
O evento terminou em selfie coletiva com as cadeiras empurradas para o canto, show e DJ. Antes disso a produção mostrou o mutirão.ai, iniciativa gratuita de ensino de inteligência artificial em comunidade, com professores voluntários. O Del é um deles.
Gravei o balanço na calçada, indo embora, porque eu tinha que voltar para Campinas. É o mesmo formato do primeiro vídeo desta página, seis horas depois.
A última coisa que eu falo nesse vídeo é o pedido que virou esta página.
O rolo do dia
Das 16:21, quando o Sam Altman apareceu no telão, às 19:32, já com a sala virando pista.


















Extra · 16:01
Antes de abrir a sala principal, a produção fez o público entrar em grupos num domo inflável e deitar o olhar para cima. A projeção cobre a cúpula inteira, sem borda e sem tela: você perde a noção de onde termina o teto.
Gravei do lado de dentro, com os óculos, olhando para cima. É a coisa mais difícil de descrever do dia inteiro e a mais fácil de mostrar, então está aqui inteira, sem corte.
Vale assistir com som e em tela cheia. E vale saber que dura menos de dois minutos, porque ao vivo pareceu bem mais.
Como isso foi feito
#openaicreatorsday