Samuel LeitePrimeira edição · 04 de agosto de 2026
OpenAI Day na sede do LinkedIn.
Um encontro da OpenAI com um grupo pequeno de criadores, na sede do LinkedIn. Duas apresentações sobre processo criativo com inteligência artificial e, antes delas, a equipe editorial da plataforma dividindo boas práticas de conteúdo.
Com a presença de
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O que ficou dito
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Otávio Pompeu · Sobre a campanha do Itaú, que exigiu equipe inteira só na concepção
01 · Chegada
Uma tarde de terça-feira.
A sede do LinkedIn em São Paulo tem uma parede de mosaico azul com o logo da empresa. Todo mundo faz foto ali, e eu não fui exceção.
Fui a convite da Fer Belk e de parte do time editorial do LinkedIn. O grupo era pequeno: criadores e profissionais com alguma relevância no tema, reunidos pela OpenAI em parceria com a plataforma. Até o biscoito servido no café vinha com o logo da casa, sinal de que alguém desenhou o dia inteiro, e não só a pauta.
A foto tradicional, pra provar que fui no rolê.
02 · Abertura
Boas práticas, ditas por quem edita.
Quem abriu foi Luiz Gustavo Ribeiro, Sr. Creator Manager do LinkedIn Brasil, e essa é a parte que eu não esperava. Não era apresentação institucional. Era orientação prática de quem lida com o conteúdo da plataforma todo dia.
Começou pelo tamanho: mais de 1 bilhão de usuários em mais de 200 países e territórios. Depois veio o mapa de por que executivos publicam notícia na plataforma, que se resume a três coisas: controlar a narrativa, alcançar o público certo e entrar na cobertura editorial do próprio LinkedIn.
A abordagem do time editorial cabe em quatro palavras que começam com C. Criação, curadoria, cultivo e circulação. Não é slogan: cada uma corresponde a um tipo de trabalho diferente que a equipe faz com o conteúdo que circula por lá.
Luiz Gustavo Ribeiro abre o encontro: construindo influência no LinkedIn, notícias e ideias.
03 · Claudia Gasparini
O assunto virou ruído.
Claudia Gasparini cuida do tema de inteligência artificial no time editorial do LinkedIn Brasil, numa cadeira recém-criada. Ela começou pelo diagnóstico que todo mundo já tem, e que ninguém gosta de encarar: só se fala de IA, e por isso quase ninguém é ouvido.
O caminho que ela sugeriu tem três pontos. Pensamento próprio, que é aquilo que só você construiu. Fonte verificada e mostrada dentro do post, porque produzir qualquer coisa ficou fácil e o que tem valor agora é o que foi checado. E frescor, comentar o que acabou de sair.
O ângulo que ela classificou como o mais valioso é também o menos disputado: inteligência artificial aplicada a um setor. IA e saúde. IA e direito. IA e RH. O motivo é operacional, não filosófico. O time editorial procura conteúdo que ajude alguém a resolver um problema profissional concreto.
Claudia Gasparini: lidere as conversas em alta sobre IA na plataforma.
É importante a gente pensar em formas de se diferenciar dessa massa, desse ruído todo, e entender que falar sobre inteligência artificial é falar sobre tudo. Tecnologia, ciência, mas também economia e negócios, sustentabilidade, comportamento, cultura, política, futuro e presente do trabalho.
A gente precisa fundamentar as análises, os dados, as notícias que está compartilhando. Buscar essa fundamentação por meio de dados sólidos, verificados, de fontes confiáveis. É muito fácil produzir qualquer tipo de conhecimento sobre qualquer coisa hoje, mas um conhecimento verificado, que tem autenticidade, profundidade, isso é o que tem valor.
O seu público, quando vê, está acostumado visualmente com aquela informação, mas a tecnologia não precisa mais. Antes a gente usava para organizar no background da própria plataforma, o algoritmo aprendia. Hoje o algoritmo já aprende, não precisa disso.
04 · Da plateia
A resposta que desmontou a pergunta.
Alguém levantou a mão e fez a pergunta que eu escuto toda semana em reunião de cliente: quantos temas um porta-voz deve trabalhar? Três? Cinco?
A resposta foi que a conta não é essa. Importa quais temas e por quê. E em empresa com vários executivos publicando, o desenho que funciona é território temático por pessoa, amarrado ao que a organização precisa posicionar.
Trabalho com isso há quinze anos e sigo perdendo essa discussão em boa parte das reuniões. Ouvir da própria plataforma foi bom.
A pergunta não é quantos, mas quais e principalmente por quê. Não tem um número. Pode ser que para você não faça sentido falar de três, mas de dez. Eu não pensaria em quantidade, pensaria em qualidade e em ligação com a estratégia. Talvez faça sentido estabelecer territórios para cada um desses porta-vozes.
05 · Paulo Aguiar
A ferramenta virou vocabulário.
Paulo Aguiar passou mais de uma década na Publicis como diretor de criação, foi diretor de marketing do Next e fundou uma venture builder de games. Hoje vive de ensinar inteligência artificial. Ele trouxe o olhar de quem está do outro lado da mesa, o da criação publicitária, e falou da transformação que essa indústria vem sofrendo.
A tese dele é que a ferramenta mudou de natureza. Nos primeiros quinze anos de carreira, a ferramenta era o lápis, e dominar o lápis era o trabalho. Hoje a ferramenta é o vocabulário, e não existe atalho para construir vocabulário.
Ele abriu o processo por trás de vários vídeos que viralizaram, incluindo o hyperlapse de Lionel Messi com Lamine Yamal. Foram 360 imagens geradas, mais de 2 mil descartadas e um dia inteiro perdido num caminho errado antes de achar o que funcionava. O dia perdido não costuma entrar no carrossel de ninguém.
Mostrou também o toolkit que usa, dividido por função, e o modelo que chama de orbiter: resultado, contexto, premissas, direção e aprovação girando ao redor da conversa, em vez de uma fórmula fixa de prompt.
Paulo Aguiar: todo profissional de alta performance vai se tornar um especialista em IA.
Não é saber qual é o prompt que faz um trabalho criativo de qualidade. Como diretor de arte, a minha ferramenta era o lápis. Os primeiros quinze anos do meu trabalho foram construídos em dominar esse lápis. Mas não é só passar o lápis para uma pessoa que ela vai conseguir fazer o meu trabalho. Hoje a minha ferramenta é uma só: é o vocabulário.
Da ideia para a realidade, você passa por vários obstáculos. A gente aprendeu a chamar de ferramenta o que é obstáculo. Quando você sabe o que quer, ficar mexendo no Photoshop três dias para conseguir aquela imagem é passar por um monte de obstáculos.
06 · Otávio Pompeu
Muitas mãos antes do primeiro prompt.
Otávio Pompeu tem 27 anos, foi product manager no Banco Neon e hoje lidera a área de inteligência artificial da Community Creators Academy. Ele co-assinou a campanha de Copa do Mundo do Itaú: 20 músicas e 30 vídeos em duas semanas e meia.
O contrapeso que ele trouxe foi o volume de trabalho humano invisível. Aquela campanha exigiu uma equipe inteira ocupada só na etapa de concepção, antes de qualquer prompt ser escrito. A frase que ficou foi essa.
O ponto principal da apresentação dele foi outro: as melhores ideias sempre morreram entre a imaginação e a execução, e não por falta de talento, e sim por falta de acesso.
Otávio Pompeu: ChatGPT Work para profissionais.
Existem muitas mãos antes do primeiro prompt. O projeto do Itaú, embora a gente tenha conseguido entregar um volume muito grande, precisou de uma equipe inteira para fazer toda a parte da concepção, a parte das referências e por aí vai.
As melhores ideias sempre morreram entre a imaginação e a execução. E isso tem um motivo: não é por falta de talento em si, mas por falta de acesso.
O que ficou
Isso não tem plano de assinatura.
As duas apresentações rodaram em ferramentas que estão na mão de qualquer um. O ChatGPT que o Paulo usa é o mesmo que está aberto na sua aba agora.
O que separou o resultado foi o repertório de quem operava. Quinze anos dirigindo arte em publicidade de um lado, gestão de produto em banco do outro. Repertório não se instala, não se assina e não vem no plano anual.
Fica também o agradecimento a Christian Rôças, o Crocas, que lidera Comunidade, Criadores e Talentos da OpenAI na América Latina, puxa as iniciativas da OpenAI Brasil e nos convidou a virar creators embaixadores por aqui. E ao time do LinkedIn, pela casa e pela generosidade em dividir o que sabem.
A conversa sobre a comunidade da OpenAI no Brasil.
Sede do LinkedIn, São Paulo · 04 de agosto de 2026
Por que esta página existe
Um prazer estar lá. Aqui vai o que ficou.
Saí do OpenAI Day com muita coisa na cabeça e com o celular cheio. Esta página é a minha forma de dividir o que trouxe de volta: as fotos, os trechos de áudio e as ideias que merecem circular.
Esta página foi construída com Codex e ChatGPT Work, as mesmas ferramentas apresentadas no palco. É a maneira que encontrei de materializar tudo o que aprendi lá.